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11 pontos a considerar numa competição local de CrossFit

11 pontos a considerar numa competição local de CrossFit

Antigamente quase não haviam box de CrossFit no Brasil. Agora, segundo informações obtidas no próprio site da Crossfit, somos o segundo país em número de boxes. No início por aqui, todos os materiais deveriam ser importados, por que não se dava tanta atenção ao material usado pelo CrossFit no Brasil. Agora, como nos tornamos um mercado relevante, surgem marcas novas o tempo todo, vendendo todo tipo de barra, anilha, KB e etc. Da mesma forma, no início, quase não víamos campeonato de CF no Brasil....hoje, o nosso calendário registra mais de um por final de semana seguramente. E agora? Isso é bom para o CF?

Já discutimos aqui sobre isso, quando falamos sobre o que faz um box de CF um bom box de CF. Ter mais boxes faz com que a preocupação para se manter como um dos melhores boxes da cidade aumente a qualidade dos mesmos. Mas podemos pensar que expandir sem o devido cuidado, cria problemas com coaches mal preparados, headcoaches sem experiências em periodização e lugares mal planejados.  Em relação às competições, podemos utilizar este mesmo raciocínio. Quanto mais competições, mais elas terão que se esforçar para que sejam atrativas aos praticantes...afinal, como não são baratas e não podemos participar de todas, temos que selecionar.

Organizar um evento como uma competição de CrossFit é extremamente complexo e difícil, podemos imaginar. Tarefa árdua que, poucos que nos leem, inclusive nós, teriam estômago para tal. Mas já que alguns – ainda bem – se dispõe a fazê-lo, isso cria expectativas em todos que pretendem comparecer ao evento. Com isso, vem a pergunta...o que faz uma competição de CrossFit uma boa competição de CrossFit?

Assim, sem pretender esgotar todos os quesitos ou aspectos, e com base nas experiências de campeonatos que já participamos, abaixo vamos listar alguns elementos que podem aumentar significativamente as chances da competição de Crossfit ser bem sucedida:

1. Planejamento dos WODs

Sim, o planejamento de uma competição é o mais importante. Veja o que Mike Warkening escreveu em seu artigo no CrossFit Journal de 2016:

“Aqui vai minha recomendação: nos primeiros estágios do planejamento da competição, programe os eventos para que eles alcancem seu objetivo. Se seu objetivo é achar o mais condicionado – e eu acho que deveria ser – então você tem que medir a capacidade de trabalho sobre um período de tempo e diferentes domínios. Você precisa testar força, potência, endurance, habilidade e mais com vários testes e movimentos em eventos que vão desde um limite curto de tempo (como Fran) até relativamente longos (como Cindy ou mais).”

Claro que entendemos, e o autor também entende, que os testes estão limitados ao tamanho do local, à infraestrutura disponível e etc. Mas isso nunca deve prejudicar o planejamento e, consequentemente, o projeto final, de achar os atletas mais bem condicionados da competição.

Além disso, o responsável deve tomar cuidado com as diferentes categorias e ser coerente nas escolhas de exercícios e cargas referentes às pessoas que estão participando. Iniciantes, Scale, Amador, Rx Elite...o que for. Cada uma deve ser feita e pensada com o mesmo cuidado que a outra, para que todos façam um bom evento.

A escolha da equipe de coaches e do headcoach que tomará, em última instância as decisões sobre como será esportivamente o evento é de fundamental importância para que este item seja satisfatório, a experiência, preparo e qualificação técnica, bom senso, e a capacidade de diálogo com a comunidade de coaches, para ouvi-los, é de suma importância.

E por fim neste quesito, deve-se tomar muito cuidado com as armadilhas que o “invencionismo” exagerado podem ocasionar na configuração dos Wods. Um evento bom tecnicamente, não é necessariamente com muitas provas e aparelhos complexos e excessivamente “diferentes”. O menos pode ser muito mais nestes casos. Não se deve levar ao pé da letra a expressão muito conhecida no crossfit, o tal do “preparado para tudo”, pois errar a mão no que é fora do tradicional, pode acarretar uma série de problemas, inclusive, de credibilidade do evento perante a comunidade do crossfit e quem paga para estar ali.

2. Qualidade dos Equipamentos

Uma vez que você sabe o que você quer testar e como, pode-se pensar na estrutura que você precisa ter para tornar a competição uma experiência agradável, tanto para os atletas, staffs, judges, quanto para família e amigos que forem assistir.
Em se tratando de atletas, em primeiro lugar deve vir a segurança e integridade física dos mesmos. Logo, disponibilizar equipamentos e material de boa qualidade que não se rompa, descole, ou pare de funcionar enquanto o atleta realiza um movimento é de vital importância. Claro que acidentes podem acontecer. Mas é obrigação do organizador do evento minimizar estes riscos, tendo o máximo de cuidado possível, dando menos chance para o azar possível. Há muitas empresas de equipamentos de CF por aí...tome cuidado com as escolhas que fará.

3. Local do Evento

Claro que não adianta ter isso e não fazer uma boa escolha do local do evento, que é, em primeira análise, o que ajudará a definir e influenciará na maioria dos itens que mencionamos abaixo.

O local deve levar em consideração a instalação da estrutura, de acordo com o número de atletas e público que se pretende atingir, observar ainda questões de mobilidade e trânsito, hospedagem, conforto para os atletas, hipótese de adversidades climáticas, existência ou não de estacionamento e custo, área adequada para instalação da praça de alimentação, área de aquecimento, boa arena para execução das provas que não pode esquecer o ponto de vista de quem irá assistir o evento.

E ainda deve ser confirmado definitivamente, com bastante antecedência, pois atletas que precisam viajar para participar, necessitam marcar hospedagem e deslocamento, o quanto antes para diminuir custos e fazer um melhor planejamento da sua participação no campeonato.

4. Pontualidade

Não se pode correr o risco de uma competição atrasar muito. Os locais geralmente tem horas marcadas em seus contratos (senão a sirene toca), o que limita o quanto podemos ficar até o final. Além disso, os atletas contam com pré-treinos e mobilidade/aquecimento que devem ser feitos antes de cada WOD. Isso faz com que a pontualidade exigida seja sempre o mais precisa possível. Um atraso ou outro pode até ser aceitável, pois  imprevistos ocorrem, mas podem ser minimizados. Uma boa forma de se precaver nesse caso é não considerar 1 ou 2 minutos apenas para transição entre as baterias, colocando um tempo realista, bem como ter staff disponível e específico para organizar de forma rígida, quem vai entrar na arena, aqueles que deverão ir para a área de aquecimento, quanto aqueles que devem deixar a área de competição para dar espaço à próxima bateria.

5. Área de aquecimento

Já fui em campeonatos onde a área de aquecimento foi extremamente negligenciada. No entanto, é um item do evento extremamente importante para um atleta conseguir se aquecer apropriadamente. Isso envolve barras, anilhas, rigs, borrachas, etc que permitam com que eles cheguem apropriadamente aquecidos e alongados na hora de sua bateria, diminuindo os riscos de se lesionar e tenham mais chances de extrair o melhor de sua performance. A não ser que a organização queira fazer uma surpresa em determinado WOD, com equipamento pouco usado, todo o equipamento que o atleta for utilizar durante o WOD, deve estar disponível para uso e manuseio na região de aquecimento.

6. Tamanho do evento

Ligado ao item 1 acima, destaco que todo mundo quer ser impressionado com um evento de grandes proporções. Imagina a propaganda: temos 3.000 atletas competindo! Uau! Mas a sua estrutura comporta tudo isso? O que os campeonatos com certeza poderiam controlar e nem sempre controlam, é exatamente o número de inscritos. Sabemos que quanto mais inscritos, mais dinheiro entra e, teoricamente, mais se consegue disponibilizar para os atletas....mas isso também é uma arapuca, pois pode fazer com que a competição vá das 08 da manhã até às 20 da noite prejudicando atletas, staff, judges...ou ainda pior, nem termine pelo inadequado dimensionamento do horário.

Esse é o ponto importante. Planeje os eventos e o tipo de teste, monte sua estrutura e depois veja o tamanho da competição que você quer fazer de acordo com o que terá disponível. Se sua competição começar a apresentar muitas falhas, ela não vai durar muito...outras melhores surgirão e você ficará sem seu evento.

7. Alimentação

Nem todos os atletas trarão marmitas e lanches para o dia todo. Logo, é muito provável que precisarão se alimentar no evento mesmo. Além disso, muitos dos locais são longe o suficiente para não compensar ir para casa almoçar durante o dia de competição. Então, disponibilizar diferentes tipos de alimentação, pensadas também nos atletas, e em quantidades suficientes para que você não fique 1 hora e 30 minutos na fila se faz necessário. Até por que não são apenas atletas que vão comer, mas todos que forem assistir também irão....e por falar nisso...

8. Público

Um evento não se torna grande só pelo número de atletas, mas também pela presença do público expectador. Então, deve-se ter em mente, que quando competimos, a galera do box vai junto, a família vai junto, os amigos vão juntos. Assim, é necessário pensar também na plateia na hora de planejar a sua competição. Lugar para a plateia ir com algum conforto e poder assistir e torcer pelos seus amigos/familiares vai fazer do seu campeonato um evento que vale a pena ir, também para quem só irá assistir e torcer.

9. Judges bem treinados

Ser um judge não é uma tarefa fácil. Ter que decidir se é uma rep ou no rep em segundos é sofrido e muito díficil. Por isso a escolha de juízes e treiná-los corretamente é essencial para minimizar problemas e diferenças de avaliação de uma equipe/atleta para outro. Além disso, ter headjudges para corrigir eventuais problemas e desvios pontuais, inclusive no calor da competição é muito importante.

Aqui vale salientar a postura e obrigação dos atletas também de serem cuidadosos e respeitosos com os judges que estão ali fazendo o melhor que conseguem com o que lhe foi dado. Além disso, cabe ao idealizador dos WODs escolher os movimentos que facilitem a vida dos judges. Por exemplo, um shoulder to overhead é mais fácil em termos de arbitragem, do que ter que distinguir jerk de push press - não que isso proíba o movimento em uma competição, mas aceite que o judge vai ter que ser mais cuidadoso.

10. Sonorização e locução

Parece óbvio, mas nem todo evento toma o devido cuidado para a qualidade da sonorização contratada, o que é um item extremamente importante para o sucesso do evento, pois uma boa trilha sonora, anima muito mais, tanto quem está assistindo quanto quem está competindo. Quem não detesta a má qualidade do som,  ou aquela música que repete milhares de vezes em curto espaço de tempo.

A locução e quem está ali se comunicando com atletas também é importante, esta ou estas pessoas, devem conhecer as provas e o crossfit, interessar-se pelas colocações das baterias, quem são os box ou os atletas participantes, interagir dentro do possível também com o público. Isso torna o evento mais dinâmico e mais alto astral e bem menos entediante do que simplesmente se limitar a fazer contagem regressiva das baterias.

11. Todos trabalhamos no dia seguinte....

Isso poderia entrar junto no tópico 2, de planejamento de WODs. Mas coloquei no último item, por que, no final das contas, 99% do público-alvo das pessoas que participam dessas competições não são atletas profissionais de CF e não vivem disso. E muitos dos organizadores não lembram disso...

Por isso, o dimensionamento dos horários e, ainda com WODs complicados, que desgastam os atletas ao extremo, em grande número tratando todos como atletas de Games e esquecendo que precisamos seguir com a nossa vida, sem lesão, se locomovendo de maneira normal. Queremos ser testados sim, mas de forma coerente com o nosso preparo.

Não estamos aqui afirmando que disponibilizar todos estes itens é fácil e não implica em custos significativos ou até mesmo uma equação de valor de inscrição x retorno do organizador, que inviabilize a realização. No entanto, uma coisa podemos afirmar, se for para fazer um evento, que não preveja o mínimo do que mencionamos acima, não faça um evento. Sempre haverá participantes, por um tempo, mas a tendência é que crie uma má reputação e, aos poucos, vire sinônimo de má qualidade e do que não fazer.
 

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