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A História de Superação do atleta do CrossFit Games Nuno Costa

A História de Superação do atleta do CrossFit Games Nuno Costa

Nuno Costa não é um atleta famoso no CrossFit. Pelo menos não no Brasil. Mas a história de Nuno Costa, que já até virou um mini documentário da CrossFit ("The Story of Nuno Costa"), mostra tudo o que esse esporte tem de melhor a oferecer. Se você ainda não sabe de quem eu estou falando, deveria prestar atenção! Isso por que ele já foi até campeão do CrossFit Games, como capitão do time de um dos boxes mais icônicos do mundo, a CrosssFit Invictus. Só isso já valeria uma história a ser contada. Mas tudo isso aconteceu com um homem que já foi alcóolatra e viciado em drogas e credita o sucesso de sua constante recuperação ao CrossFit. Este atleta foi corajoso o suficiente para contar sua história à CF enquanto se preparava para participar dos Gay Games que ocorreram nos Estados Unidos em 2016. Esse ano, enquanto se prepara para enfrentar seu 7º Games, ele concedeu essa entrevista para a gente.

 Ficha Técnica:

- Quanto tempo treina CF? Eu comecei o CrossFit em 2008 e não parei desde então.

- Qual seu benchmark favorito? Não tenho certeza se tenho um benchmark favorito – eu costumo ir bem nos WODs do Open que são de cargas leves a moderadas.  A maior parte com ginásticos e corrida também.

- Qual o seu ponto forte no CrossFit? Eu diria que provavelmente minha experiência. Eu acho que ter um background atlético me ajuda muito no CrossFit. Eu cresci jogando futebol e vôlei, corri na graduação e entrei em esportes de endurance após ter me formado – meias maratonas e triatlons.

- Qual a sua fraqueza? Eu acho que seriam os treinos super pesados. Também penso que snatch é um levantamento que me dá trabalho – algo que eu trabalhei muito para ficar melhor, mas minha técnica ainda tem muito a melhorar.

 HC: Você tem uma história de vida inacreditável. Você se mudou de Portugal para os Estados Unidos ainda novo, teve que lidar com vícios em álcool e drogas, e se tornou um dos melhores atletas de CrossFit do mundo, um staff da CF para dar seminários level 1, e campeão por equipes em 2014 pela CrossFit Invictus. Como o CrossFit te ajudou a se tornar o homem que é hoje?

 NC: É interessante ver tudo isso num lugar só – eu não tiro muito tempo para reconhecer a mim mesmo nem o que eu consegui. CrossFit definitivamente mudoua minha vida para o melhor e em troca me deu uma chance de ajudar de volta. Eu não estaria aqui hoje se não fosse pelo CrossFit. Eu estou sóbrio desde 2007, comecei o CrossFit em 2008 e esses fatos caminham lado a lado desde então. CrossFit me ajudou a dar um sentido a minha vida de ajudar os outros e redefinir o que é possível na vida deles. Me deu uma plataforma para impactar o mundo de uma forma positiva – algo que eu sempre quis fazer, mas nunca teria conseguido enquanto eu ainda bebia e consumia drogas. A comunidade no CrossFit me deu um suporte adicional que eu precisei para atravessar tempos difíceis.

 HC: Sua história se tornou um filme feito pela CrossFit onde todos pudemos conhecê-la. Foi difícil ter que reviver tudo na hora de contá-la?

NC: Não foi difícil contar a história – o objetivo era que isso ajudasse/inspirasse outros. Eu já assisti algumas vezes, e às vezes quando assisto eu fico sem acreditar que tudo isso aconteceu na minha vida. Por estar em recuperação, eu me acostumei a contar a minha história de forma que ficou mais fácil, mas contar ao mundo certamente amplificou. Eu ainda recebo mensagens nas mídias sociais de pessoas assistindo meu vídeo e como isso impactou-os, o que me assegura que eu fiz o que deveria ter feito.

HC: Você acabou se tornando um coach em um dos mais famosos boxes de CrossFit no mundo, sendo treinado por um dos mais famosos treinadores de CF do mundo, CJ Martin. O próprio CJ Martin falou no vídeo que você nunca atingiu um platô. Como é a rotina de treinamento do atleta Nuno Costa?

NC: Minha rotina de treinamento definitivamente mudou com os anos com a evolução do CrossFit. As exigências do treino se tornaram muito maiores. A gente não costumava fazer duas sessões diárias de treino até alguns anos atrás. Eu ainda presto muita atenção ao meu corpo, minha recuperação e nível de estresse. Há alguns dias que eu não faço tudo que está programado, e omito partes do treinamento se meu corpo não está apto. Eu não fujo das coisas que sou ruim, mas tento tomar decisões inteligentes sobre o que me ajuda a melhorar continuamente.

HC: Quão diferente é o atleta Nuno Costa do coach Nuno Costa? Qual “papel” você prefere: atleta , coach ou staff da CF?

NC:  O atleta e o coach não diferem muito – pelo menos não que eu perceba. Talvez essa seja uma questão mais para meus colegas de time e coaches. Eu sou super competitivo, então como atleta eu dou tudo de mim enquanto posso para meu time. Eu tento levar essa mesma mentalidade para os meus clientes como coach. Eu quero ajuda-los o máximo que consigo a atingirem os objetivos e fazer o que for preciso para chegar lá.

HC: Você ganhou o CF Games em 2014 com o time da CrossFit Invictus. Um time que você competiu 6 anos em sequência. Ano passado, você decidiu disputar o individual nos regionais. O que mudou? O que achou diferente?

NC: Eu quis me dar a chance de competir nesse nível antes que ficasse velho demais. O esporte está evoluindo tão rapidamente que eu achei que minha janela de oportunidade estava se fechando. Eu quis ir no individual e ver se eu conseguiria ir ao Games. Eu sei que se eu tivesse competido pelo time eu teria ido ao Games pelo 7º ano seguido – mas não era sobre isso. Era sobre não ter arrependimentos e perseguir o me assusta e me colocar numa posição que eu talvez não tivesse sucesso mas tentar ainda assim.

HC: Você está com 38 anos e agora a CrossFit decidiu criar uma nova divisão de máster, de 35-39 anos. Você pretende competir com o time da Invictusou ir individual na Master (você está em 6º no geral)?

Nota do HC: essa pergunta foi enviada antes dos Qualifier online!

NC: Essa é uma resposta tardia mas eu me qualifiquei na nova divisão de master em 4º no mundo depois do qualifier online mas escolhi competir com o time da Invictus no Games. Eu não quis competir numa reunião no individual este ano. Este provavelmente será meu último ano no time. De novo, eu sinto que esta janela agora está se fechando e eu queria mais uma chance de compartilhar a experiência de competir no games com um time. Nada substitui isso, mesmo a possibilidade de ganhar no Master.

HC: Uma coisa que sempre prezamos é a chamada comunidade do CrossFit. É realmente muito comum ver as pessoas dizendo que a melhor coisa do CrossFit é a sua comunidade. Você é um ex viciado em drogas em álcool e um homossexual assumido....houve algum momento difícil para você por causa disso no CrossFit? Ou a comunidade sempre mostrou apreço pelo homem que é? Afinal de contas, ainda é um tabu ser gay em competições esportivas de alto nível.

NC: Eu sempre fui muito aberto sobre quem sou – mas isso veio com o tempo. Eu me assumi perto do fim dos meus anos de graduação e não olhei mais para trás desde então. Depois que o vídeo foi lançado eu olhei alguns comentários negativos nas mídias sociais sobre o Gay Games, mas não dei muita atenção. No geral, o suporte tem sido fantástico, e eu sei que ser aberto sobre quem eu sou vai encorajar alguém a ser quem é sem se sentir julgado. Eu espero que mais e mais pessoas se sintam confortáveis sendo quem são.

HC: O que Podemos esperar de Nuno Costa daqui para frente? Neste ano e no futuro?

NC: Quem sabe? Continuarei a treinar pesadoe enquanto estiver saudável continuarei a competir em algum nível. Não conseguiria imaginar que minha vida seria assim se você me fizesse essa pergunta em 2008. Então quem sabe como vai ser em 2022 ou 2017 – eu espero ainda estar fazendo um impacto positivo na vida das pessoas de alguma forma e fazer desse mundo um lugar melhor.

Muito obrigado

Nuno Costa

Full English Version

HC: How many years do you train CrossFit?

NC: I started doing CrossFit back in 2008 and have been at it since.

HC: Which is your favorite benchmark?

NC: Not sure I have a favorite benchmark workout – I tend to do well in Open workouts that are light to moderate loads. Most things with gymnastics too and running.

HC: What is your strength in CrossFit?

NC: I’d probably say my experience. I think having a broad athletic background it really helps me within CrossFit. I grew up playing soccer and volleyball, ran track in college and then got into endurance sports after college – ½ marathons and triathlons.

HC: What is your weakness in CrossFit?

NC: I’d say super heavy workouts are not my strength. I also think that Snatch is a lift that tends to give me trouble - something that I have worked really hard to get better at, yet my technique still has a lot of room for improvement.

HC: You have an absolutely amazing life story. You moved from Portugal to the United States at young age, you dealt with alcohol and drug addiction, and became one of the best CrossFit athletes in the world, a level 1 staff member, and you won the affiliate cup with CrossFit Invictus in 2014. You went from what could mean a death sentence to a success case. How did CrossFit help you to be the man you are today?

NC: It’s interesting seeing everything in one place – I don’t take much time to acknowledge myself and my accomplishments. CrossFit has definitely changed my life for the better and in turn given me a chance to help give back. I wouldn’t be where I am today if it wasn’t for CrossFit. I have been sober since December 2007, I started doing CrossFit in 2008 and they have gone hand in hand since. CrossFit has helped fulfill my life purpose of helping people re-define what’s possible in their lives. It’s given me a platform to impact the world in a positive way – something I always wanted to do, but could never accomplish when I was still drinking and using drugs. The community within CrossFit has given me the additional support that I have needed through the tough times.

HC: Your story became a short film by CrossFit where you told the amazing story we all know today. Was it a hard process to revive and tell everything? 

 NC: It wasn’t hard to tell the story – the intent was that it would hopefully help/inspire others. I’ve watched it a couple of times, and as I watch it sometimes I am in disbelief that all this has happened in my life. Being in recovery I have gotten used to telling my story so that’s made it easier, but telling it to the world was definitely amplified. I still receive messages on social media of people watching my video and how that’s impacted them and that reassures me that I did what I was supposed to do.

HC: You ended up being a coach in one of the most famous CrossFit affiliates in the world, being coached by one of the most famous coach in the world, CJ Martin. CJ Martin himself told in the video that you have never reached a plateau! How is the training routine of the athlete Nuno Costa?

NC: My training routine has definitely changed over the years along with the sport of CrossFit. The training demands have gotten much higher over the years. We didn’t used to do double daily sessions until a couple of years ago. I still pay close attention to my body, my recovery and my stress levels. There are some days I don’t do everything that is programmed, and I will omit parts of training sessions if my body isn’t feeling up to it. I don’t shy away from things I suck at, but I try to make smart decisions about what will help me continue to improve.

HC:  How different is the athlete Nuno Costa from the coach Nuno Costa? Which “role” do you prefer: athlete, coach or level 1 staff seminar?

NC: The athlete and the coach don’t differ too much – at least not that I am aware of. Maybe that’s a better question for my teammates and coaches though. I am super competitive, so as an athlete I will put myself out there for my team as much as I possibly can. I try to carry that same mindset for my clients in my coaching. I want to help them as much as possible to achieve their goals and do what it takes to get there.

HC: You won the CrossFit Games in 2014 with the Crossfit Invictus team. A team you have competed with 6 years in a row. Last year, you decided to go individual in the regionals. Why the change? How did you find it different?

NC: I wanted to give myself a chance at competing at that level before I got too old. The sport is evolving quickly and I felt like my window was closing to do so. I wanted to go individual and see if I could make it to games. I know that if I had competed on the team more than likely I would have made it to games for a 7th year in a row – but it wasn’t about that. It was about not having regrets and pursuing what scares me and puts me in a position where I might not succeed but going for it anyway.

HC: You are 38 years old now, and CrossFit decided to include a new master division this year, the 35-39 division. Do you intend to compete with the Invictus team or go individual in the master division this year (you are in the 6th place overall)?

This is sort of late responding, but I did qualify for the new masters division finishing 4th in the world after the online qualifier but chose to compete with Invictus team at games. I did not want to pursue the individual competition this year. This will most likely be my last year doing team. Once again, I feel like that window is closing and I wanted one last chance to share an experience of competing at Games with a team. Nothing replaces that, even the possibility of winning masters.

HC: One thing that we always value, we always appreciate, is the so-called “CrossFit community”. It is really common to see a lot of people saying that the best thing in CrossFit is the community. You are a previous drug and alcohol addict and an open homosexual…was there ever a hard moment for you in CrossFit? Or has the community always showed appreciation for the man you really are? After all, it is still a tabu to be gay in high level sport competition.

NC: I have been pretty open about who I am – but that didn’t come without time. I came out towards the end of my college years and haven’t looked back since. After the video was released I did look at some of the negative comments on social media about the Gay Games, but wasn’t too fazed by it. Overall the support has been amazing, I know that being open about who I am will give someone the encouragement to be who they are without feeling judged. I hope that more and more people feel comfortable just being themselves.

 HC: What can we expect from Nuno Costa from here on? This year and in the future?

NC: Who knows? I will keep training hard – as long as I am healthy I will continue to compete on some level. I couldn’t have imagined my life to be the way it is if you had asked me back in 2008. So who knows what it will be like in 2022 or 2017 – I hope I am still having a positive impact in peoples lives in some sort of capacity and making this world a better place.

Thank you

Nuno

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