Treinamento físico e imunidade

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Em um artigo de 2019 publicado no The Journal of Sport and Health Science, “The compelling link between physical activity and the body’s defense system”, Nieman e Laurel M. Wentz sugerem várias estratégias simples e eficazes para melhorar a imunidade que os praticantes de exercício físico podem seguir:

1) – Desenvolva um plano de treinamento específico construído em torno de uma ampla recuperação, uma boa qualidade do sono e redução de possíveis estressores mentais.
2) – Não faça sessões de treinamento com um volume que não esteja acostumado (p. ex. na segunda-feira um volume de 3h de treino onde o seu habitual era 1h) ou o total semanal de treino (se sua média em horas de treino eram 5h não aumente abruptamente).
3) – Monitore-se atentamente quanto a sinais precoces de resfriado/gripe e/ou sintomas de overreaching e faça os ajustes necessários (reduzindo os treinos e melhorando os fatores comportamentais).
4) – Minimize a exposição ao patógeno evitando contato próximo com indivíduos infectados em espaços lotados e fechados, além de não compartilhar bebidas ou comidas. Evite sessões de treinamento em locais mal ventilados.
5) – Evite a ingestão excessiva de álcool.
6) – Consuma uma dieta bem equilibrada com energia suficiente para manter um peso saudável, com foco em grãos, frutas e vegetais para fornecer carboidratos e polifenóis suficientes para reduzir a inflamação induzida pelo exercício e melhorar a proteção viral.

O exercício físico pode afetar a função imune e a aumentar a suscetibilidade para infecções?

Em uma recente discussão científica publicada por diversos especialistas na área da Imunologia do Exercício (Exercise immunology review / Simpson et al., 2020), os pesquisadores concordaram que sessões de exercícios regulares de intensidade moderada a vigorosa são benéficas para o funcionamento normal do sistema imunológico e provavelmente ajudam a diminuir o risco de infecção / doença respiratória e alguns tipos de câncer. A mudança frequente de células do sistema imune entre o sangue e os tecidos a cada sessão de treinamento provavelmente contribui para uma melhor vigilância imunológica, melhora a saúde e com menor risco de doença.

Por outro lado, as sessões de treinamento que excedam em muito as diretrizes recomendadas de atividade física acompanhadas de outros fatores estressores como por exemplo, a higiene pessoal, fatores de estresse pessoal, qualidade do sono, fatiga mental e a qualidade dietética podem afetar negativamente as taxas de imunidade ou infecção, e a saúde imunológica dos praticantes de atividade física.

Dessa forma, esteja ciente que se você está acostumado a praticar atividades em alta intensidade e com volume elevado você não estará no grupo de risco de maior susceptibilidade para o vírus da gripe (exceto se esse treino estiver acompanhado dos fatores de risco supracitados). Por outro lado, se você não tem o hábito de realizar os exercícios que estão sendo prescritos (home-based) e se os fatores de risco estiverem presentes, seja prudente e realize um treino com volume/intensidade reduzidos.

Graduado, Mestre e Doutor em Educação Física (UCB).
Pós doutor em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina (UFMT).
Fundador do Hércules Functional uma plataforma com ênfase no Fitness Funcional (tcc.CrossFit).