Matéria do New York Times relata cultura sexista dentro da CrossFit, Inc.

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O jornal americano The New York Times reportou hoje que entrevistou 12 pessoas, 8 ex-funcionários e 4 atletas com fortes ligações com a empresa, que relatam que Greg Glassman, criador e dono da empresa CrossFit Inc., não apenas teria comportamento sexista dentro da empresa como também incentivava a cultura desse comportamento.

Já no início da reportagem, eles dizem que:

“De acordo com uma dúzia de entrevistados, Glassman, 63, depreciou verbalmente as mulheres, puxou as roupas para tentar espiar o decote e apontou a câmera do telefone para tirar fotos de seus seios enquanto viajavam com ele a trabalho (às vezes pressionando-as a considerar compartilhar quartos de hotel ou casas alugadas com ele).

Através de um porta-voz e uma porta-voz (que a o defendeu falando que nunca foi mal-tratada por ele), Glassman negou todas as acusações. A porta-voz ainda sugeriu que as pessoas estariam fazendo isso para depreciar a empresa e comprá-la por pouco.

A mulher mais poderosa da empresa, Diretora de Afiliados, é a irmã de Glassman. Por isso, aparentemente, muitas pessoas tinham receio de contar-lhe algo. Um gerente de recursos humanos surgiu apenas em 2013, mas foi demitido em Janeiro desse ano e não foi substituído até o momento.

Uma das entrevistadas, ex-funcionária da empresa, relatou um dos problemas talvez em denunciar o que ocorria:

“Há tanta coisa positiva na comunidade CrossFit”, disse uma ex-funcionária que, como muitas outras entrevistadas para este artigo, obteve o anonimato porque teme a retribuição legal de Glassman. “Você quer ser a pessoa que arruine as esperanças e sonhos das pessoas e até seus negócios? CrossFit não é apenas fitness. Torna-se seus amigos, sua família, sua comunidade. As pessoas criam suas vidas inteiras em torno disso. ”

De acordo com a matéria, até a senha do Wi-Fi da sede da empresa costumava ser uma obscenidade sexista.

Em 2012, Glassman acabara fazendo um acordo judicial com uma antiga funcionária, Julie Kelly, que ameaçava processá-lo por assédio sexual. Apesar da porta-voz negar que tenha ocorrido algo do gênero, ela não quis comentar sobre o acordo judicial.

Contudo, tiveram funcionários que o defenderam, respondendo a reportagem afirmando “Eu não gosto de pintar alguém de uma pessoa má apenas porque ele pode ter sido misógino”.

Quem confirma o comportamento de Greg e o acordo com Julie Kelly é a ex-esposa de Greg, Lauren Jenai que, junto com ele, fundou a empresa. “Ele é o pai dos meus filhos. Eu me preocupo com Greg e com o CrossFit “, disse Jenai ao NYT,” mas isso deve ser resolvido “. Ela também se refere ao fato do senso de humor deles ser meio rude, e que algumas coisas não a incomodava por que ela estava, à época, numa situação de poder.

Jenai ainda diz que se você falasse contra o que ocorria dentro da empresa, você poderia ser demitido. Pior do que era dito, era a cultura em torno disso, de acordo com Lauren Jenai.

A porta-voz da empresa alega que as declarações da ex-esposa de Greg são apenas para depreciar a empresa para que ela possa comprá-la. Jenai assume que foi abordada por uma empresa de investimento que gostaria de comprar a empresa e colocá-la de volta como uma saída elegante ao problema.

Semana passada já tínhamos mencionado o podcast de Andy Stumpf em que ele relatava o tratamento sexista dentro da empresa. Mais uma vez, de acordo com a porta-voz de Greg Glassman, tudo isso é um plano dos dois (Stumpf e Jenai) para comprarem a CrossFit, Inc. juntos.

Para o NYT, Jenai ainda disse que entrada de Castro não muda nada. Já o porta-voz da empresa disse que Glassman quer de fato se aposentar e educar seus filhos de casa.

Aparentemente, a situação da empresa CrossFit ainda passará por mais alguns problemas. No mínimo, as reportagens não fazem bem ao nome da empresa e, apesar das mudanças positivas que Castro vem fazendo, ainda não parece ser o fim deste terremoto que abala a CrossFit, Inc.